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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Hemorragia
Em sendo corretos os números do último Ibope, que sinaliza empate técnico entre Duciomar e Priante por uma diferença líquida de apenas um ponto percentual, é de se esperar, para os próximos dias, os primeiros sinais de desespero na já apreensiva tropa de apoiadores do atual prefeito.
Carrinho por trás
Pode até ser que o petardo surrupie alguns pontinhos do democrata - talvez, porque existe uma boa probabilidade da manobra produzir resultado contrário ao esperado -, mas o estrago já estará feito, numa demonstração de que o apego aos princípios, no petismo de hoje, é mesmo coisa de museu.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Recesso Nazareno
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Dialética da palavra que não se cala
Este poema (contra o vento e as marés) levará minha assinatura.
Deixo-lhe seis sílabas sonoras,
um olhar que sempre traz (como um passarinho ferido) ternura,
Um anseio de profundas águas mornas,
um gabinete escuro em que a única luz são esses versos meus,
um dedal muito usado para suas noites de enfado,
um retrato de nossos filhos.
A mais linda bala desta pistola que sempre me acompanha,
a memória indelével (sempre latente e profunda) das crianças
que, um dia, você e eu concebemos,
e o pedaço de vida que resta em mim.
Isso eu dou (convicto e feliz) à revolução.
Nada que nos pode unir terá força maior.
Ernesto Che Guevara".
Este poema foi escrito pelo guerrilheiro argentino-cubano entre setembro e outubro de 1967, poucos dias antes de sua prisão e posterior fuzilamento por tropas do Exército boliviano, em Vallegrande, região esquecida daquele país sul-americano.
Os versos dedicados à Aleida, esposa de Che, foram escritos em seus famosos cadernos de campanha, que por tortuosos caminhos acabaram sobrevivendo à fúria de seus captores. Hoje, 41 anos depois, é seu testemunho de coragem e compromisso com os povos que permanece acalentando os mais generosos sonhos de justiça e liberdade, em todos os quadrantes do planeta.
La Higuera, a pequena e poeirenta aldeia que foi palco do martírio de Guevara, segue sendo um ponto de encontro para os que sabem que a luta sempre vale a pena. Quanto a seus carrascos, de todas as patentes e latitudes, pouco ou quase nada ficou registrado. Seus nomes lá ficaram soterrados em sua própria covardia e ignomínia.
Sinal de alerta
A razão do conflito foi, segundo o presidente Rafael Correa, os prejuízos causados pela empreiteira na construção da hidrelétrica de San Francisco, responsável por 12% da geração de energia do país. Inaugurada ano passado, com financiamento do BNDES da ordem de US$ 243 milhões, a usina parou de funcionar em 6 de junho devido a problemas no túnel e nas turbinas.
A Odebrecht, a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez, líderes do mercado nacional da construção pesada, pretendem construir, com o aval do governo Lula, a bilionária usina de Belo Monte, na Volta Grande do Xingu paraense. Isso já seria razão suficiente para diminuir a pressa com o andor, mas parece que tem servido de estímulo para os insaciáveis barrageiros e de seus neoconvertidos defensores, alguns deles sentados nas mais poderosas cadeiras do governo de Ana Julia (PT).
Colhedores de tempestade
Seja qual for o resultado, na dobra da esquina de 2010, pode emergir, sem a menor cerimônia, o coveiro dos sonhos de continuidade da legenda no Palácio dos Despachos.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Afogado em números
Partindo do suposto que essa abstenção foi um fenômeno generalizado, portanto não restrito a uma determinada região da cidade, o mais provável é que essa parcela apresentasse, mais ou menos, a mesma matriz de intenção de voto do restante. Ou seja: sua incorporação tenderia a ser neutra em relação ao resultado final apurado.
Aumento significativo mesmo foi a quase duplicação dos votos nulos - de 2,64% para 4,58% - podendo denotar certa fadiga de parte do eleitorado com a política em geral e com as candidaturas apresentadas, em particular.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Ridículo
Não basta parecer
Aviso aos otimistas
domingo, 5 de outubro de 2008
Dialética da palavra que não se rende
Composição: J.Darion / M.Leigh /
Versão: Ruy Guerra e Chico Buarque
Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão
sábado, 4 de outubro de 2008
Um mago caloteiro
Agora ele retorna com força às campanhas, atuando como consultor em várias capitais, inclusive em Belém, onde está por trás das artimanhas midiáticas de Duciomar Costa.
Segundo matéria publicada na edição de hoje da Folha de São Paulo, ele não consegue ficar longe de polêmica quando o assunto resvala para a gerência de seus contratos tão milionários quanto suspeitos. As equipes sob sua supervisão em Recife, Salvador e Rio de Janeiro, principalmente, estariam sofrendo com os constantes atrasos nos pagamentos, muito embora os valores já tenham sido antecipados em sua totalidade ao marqueteiro. Firma-se, assim, sua fama de mau pagador.
Resta saber o destino dos três milhões de reais pagos por Duciomar, numa alquimia contábil interessante para uma campanha que se comprometeu junto ao TRE a gastar no máximo, nos dois turnos da eleição, inverossímeis R$ 8 milhões.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Sangue na Serra
Na manhã da última segunda-feira (29), em Parauapebas, sudeste do Pará, a Polícia Militar, sob o comando do coronel Monteiro, dissolveu com extrema violência um piquete de mais de 600 operários da Construção Civil, durante uma greve contra as empreiteiras que prestam serviços à Vale do Rio Doce. Resultado: pelo menos três trabalhadores continuam hospitalizados e um ficou gravemente ferido quando teve a mão amputada pela brutalidade da ação policial. O presidente do sindicato da categoria, Francisco Canindé, depois de espancado pelos PMs ao tentar mediar o conflito, acabou preso e permanece até hoje detido acusado de incitação e depredação de patrimônio.
Mais uma vez, o Estado funcionou como milícia privada a serviço dos interesses dos que detém o poder real. Simples assim, porque não fazem a menor questão das mesuras e salamaleques que tanto encantam os que estão aboletados nos mais altos cargos de governo.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Dinheiro Queimado
O que parece incrível é que tudo isso possa ocorrer impunemente, sem despertar sequer a curiosidade dos órgãos fiscalizadores. Nem o último comercial proclamando o sucesso obtido pela midiática ocupação policial-militar do bairro da Terra Firme em Belém - um dos mais violentos da cidade - causa escândalo, mesmo quando revela que os supostos resultados decorrem dos primeiros catorze dias de trabalho. Isso mesmo: catorze dias, somente.
É espantosa a capacidade de apuração dos órgãos de Segurança Pública quando colocados a serviço da, até agora inglória, tentativa de reanimar a esquálida campanha petista na capital.