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quinta-feira, 1 de maio de 2008
Mestre em racismo
A Bahia é o Estado brasileiro de maior concentração de afrodescendentes. Lá, como em nenhum outro lugar do país, esteve presente, ao longo dos séculos de escravidão e resistência, a forte marca da contribuição dos negros africanos na construção de uma cultura extraordinariamente rica e multifacetada. Tanta riqueza gera o seu contrário: a permanência da brutal selvageria dos herdeiros do pelourinho e da chibata. Muitos, inclusive, escondidos por trás de imaculadas cátedras financiadas pelo dinheiro público.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Corte cirúrgico
O TJE, surpreendentemente, foi ainda mais longe. Por 15 votos a oito, os desembargadores resolveram afastar a magistrada de suas funções enquanto as investigações estiverem acontecendo.A denúncia foi um subproduto da longa e desgastante guerra pelo controle da Mesa da Câmara de Belém. O autor da representação, o vereador Zeca Pirão (PP), já perdeu a conta das vezes que foi afastado por decisões provisórias da lavra da juíza Rosileide, que estariam fortemente contaminadas por interesses do prefeito Duciomar Costa (PTB) e de sua cambaleante base de apoio.
Agora é para valer
Esqueça as poucas e tímidas mobilizações sindicais enfrentadas até o mês passado pelo governo Ana Julia (PT). Foram ações que partiram de entidades detentoras de baixa representatividade e, em geral, lideradas por companheiros de partido da governadora, pouco afeitos à radicalização em suas demandas. Agora, o enredo tende a ser bem diferente. É grande o fôlego e a combatividade dos trabalhadores em educação, que entram na primeira semana de greve geral sem dar sinais de que pretendam poupar o governo dos desgastes de uma prolongada paralisação em todo o Estado.Com quase um ano e meio de mandato, o governo será chamado a dar respostas concretas. Se pagar para ver, apostando possuir um crédito ilimitado junto à população, poderá colher frutos amargos e revelar identidades mal-dissimuladas em relação ao bloco político que o antecedeu.
As fileiras da conspiração
De um lado, com suas raízes perdidas em mais de três mil anos de história contínua de permanência na região, 15 mil indígenas de cinco etnias e suas 152 aldeias.
De outro, instalados na área desde a década de 90, com abundante financiamento de bancos públicos, seis grandes proprietários rurais e suas gigantescas plantações de arroz.
Em Roraima, neste momento, trava-se uma batalha decisiva. Se for confirmado o recuo do STF (Supremo Tribunal Federal), que poderá decidir contra a homologação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol em áreas contínuas, estará aberto o caminho para o questionamento judicial de dezenas de outras áreas, atiçando ainda mais a cobiça dos grupos econômicos interessados na rápida abertura de novas frentes de exploração de madeira e minério.
É uma luta brutal, onde se perfilam interesses poderosos, com seus exércitos de juristas de aluguel, acadêmicos de saber duvidoso, além de militares xenófobos e políticos de baixa estirpe. São movidos a peso de ouro para erguer argumentos a favor da secular tradição de extermínio dos povos originários em nome de um progresso que permanecerá para sempre como uma miragem. Pelo menos, para as grandes maiorias sociais.
Diante de sinais objetivos da manobra em curso, a hora é de deflagrar um levante cívico antes que a ignomínia seja concretizada. Até porque pouco ou nada se pode esperar de um governo que pratica um jogo dúbio, mantendo, ao mesmo tempo, a combativa posição a favor da causa indígena do ministro da Justiça, Tarso Genro, enquanto o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, conspiram livremente em sentido diametralmente oposto, como destacados integrantes do lobby civil-militar que trabalha para a destruição das conquistas alcançadas em décadas de luta pelos direitos dos povos indígenas em solo brasileiro.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Colarinhos chamuscados
Fotos do lobista João Pedro de Moura, amigo de longa data do deputado Paulinho, circulando com desenvoltura pela Câmara, foram feitas pela PF sem autorização da mesa da Casa ou do STF, como é praxe em investigações que envolvem parlamentares federais. O fuzuê está formado e até o superintendete da PF em São Paulo, responsável direto pelas invstigações, teria perdido o cargo em função das pressões sobre o Ministério da Justiça.
Aguarde-se o que ainda deverá surgir, caso essa suposta operação abafa não passe de reflexo da guerra de nervos que se apossou de um bem-nutrido grupo de engravatados em Brasília.
O endereço da tragédia
Uma rápida leitura do levantamento publicado na edição de hoje de O Liberal, relatando a morte de 14 pessoas na Grande Belém somente nas últimas 72 horas, uma morte a cada cinco horas, será suficiente para expor a segregação da quase totalidade das vítimas nos bairros mais periféricos e abandonados, onde a miséria serve de campo fértil para a disseminação do narcotráfico e de variadas manifestações criminosas. Dentre os mortos, vários deles trucidados com enorme brutalidade, estão pessoas que ganhavam a vida como pedreiro, vendedor ambulante, desenhista e borracheiro. Possuíam em média menos de 30 anos e faziam parte de uma geração sem qualquer perspectiva de futuro.
Algozes e vítimas, não raro, dividem o mesmo território, nascidos e criados nas comunidades que vivenciam uma guerra civil silenciosa e cruel. Padecendo de idênticas vicissitudes, a história desses paraenses que engrossaram as estatísticas da criminalidade sem controle deve servir de alerta. O ovo da serpente há muito se instalou por entre as frestas de uma sociedade radicalmente desigual e intrinsecamente violenta. Cobra-se agora o preço pelo não-enfrentamento de dilemas estruturais sempre negligenciados. Passar mercúrio cromo nessas fraturas expostas não será de qualquer valia.
Os bispos vão reclamar
O risco está aqui mesmo
No contrafluxo desta recaída xenófoba, foi lançada em Brasília uma Carta Aberta ao presidente da República, subscrita por dezenas de personalidades da sociedade civil, alertando para a existência de outros perigos que rondam a sobrevivência da maior floresta tropical do mundo. E esses riscos, cada dia mais concretos, devem ser buscados aqui mesmo, embutidos em diversos projetos que tramitam no Congresso Nacional.
Entre as propostas denunciadas como um atentado à soberania nacional ocupa lugar de destaque a recente Medida Provisória 422/08, cópia legítima de um projeto de lei do deputado ruralista Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que pretende legalizar a grilagem de terras públicas na Amazônia, tendo sido batizada de PAG (Plano de Aceleração da Grilagem).
Para quem se interessar, o conteúdo completo da Carta Aberta pode ser baixado aqui (http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/lula-e-congresso-recebem-carta).
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Dialética do trabalho criativo
Haroldo Maranhão, nosso artesão-mor da palavra escrita, em Senhoras&Senhores (1989, p. 1 e 2).
Do nada para lugar algum
O aterro hidráulico de apenas 400 metros sobre um trecho da orla, como se sabe, não integra absolutamente nada e nem cumprirá qualquer papel no equacionamento da grave crise do sistema viário da capital. Até agora, essa milionária e aparentemente inútil obra tem servido a outros propósitos. Nenhum deles pode ser confessado em horário nobre da TV.
Procura-se um culpado
Caminhos cruzados
Devastação ambiental, degradação do trabalho e violação de direitos humanos. Este é o coquetel explosivo da violenta fronteira de expansão econômica que estabelece um imenso arco de penetração na Amazônia, de Rondônia até o Maranhão.
A Folha de São Paulo teve acesso a um cruzamento inédito que relaciona dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério do Trabalho e da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Resultado: entre os 50 municípios que mais desmataram no ano passado, 39 destacam-se também pela ocorrência de conflitos fundiários e pelos freqüentes flagrantes de trabalho escravo.
São Félix do Xingu, no Pará, sudeste paraense, encabeça a lista, com a devastação, nos últimos três anos, de 2.812 km2, com quatro assassinatos e 291 trabalhadores resgatados pelas equipes móveis do Ministério do Trabalho.
São números incontestáveis capazes de esfarelar as delicadas asas de anjo que compõem a indumentária atual dos representantes da indústria da extração da madeira e de seus loquazes defensores.
domingo, 27 de abril de 2008
Profissão: pistoleiro
Um detalhe, porém, chama a atenção: Emival, mais de três meses antes de ser morto, havia formalizado denúncia no Ibama, na Polícia Civil e junto à imprensa, envolvendo uma quadrilha de madeireiros que age impunemente nos assentamentos da Reforma Agrária localizados no lago da Hidrelétrica de Tucuruí. Ele se dizia um homem marcado para morrer e, agora, vê-se que não havia qualquer exagero em suas palavras. Recebeu três disparos à queima roupa quando saía de sua casa na periferia de Tucuruí. Os pistoleiros fugiram em uma moto, sem deixar vestígios.
Segundo a CPT, nos últimos 36 anos, o Pará assistiu mais de 800 assassinatos de trabalhadores rurais ou de seus apoiadores. Apenas um mandante cumpre pena na cadeia, o que dá uma pista do motivo da continuidade e mesmo do incremento desse tipo de comércio macabro.
Um desafio desse quilate exige vontade política e coragem para enfrentar interesses poderosos e incrustados no aparato estatal. Nada mais distante da grosseira manipulação realizada por uma mídia sem o menor compromisso com o interesse público.
sábado, 26 de abril de 2008
Um pendura bilionário
Assim fica fácil posar de baluarte do neoliberalismo, contando com o escancaramento permanente dos cofres públicos.
Bandeira macabra
A história vai se repetindo como tragédia. Os violentos policiais militares, que agem como se tivessem licença ilimitada para matar, reproduzem, mesmo sem saber, o antigo brado dos fascistas espanhóis durante a Guerra Civil (1936-1939). Enquanto fuzilavam sem piedade as forças republicanas e dizimavam a população civil, eles gritavam "abaixo a inteligência, viva a morte".