O repórter pergunta:
- Quem leva a sério o mercado?
O entrevistado, sem papas na língua, responde:
- O Banco Central, por exemplo.
Só o Banco Central. Aquilo é um processo incestuoso. Esse tal mercado controla o Banco Central. O Banco Central não controla coisa alguma. Essa história de que o Banco Central controla as expectativas inflacionárias é o maior blefe que nós temos hoje.
O autor dessa frase, absolutamente insuspeito de possuir relações com a esquerda, pode ter sua identidade descoberta aqui.
Política. Cultura. Comportamento. Território destinado ao debate livre. Entre e participe, sem pedir licença.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Com a lança de Zumbi
Durante o tumultuado encontro em Genebra, na semana passada, para a revisão dos acordos da Conferência Mundial contra o Racismo (Durban, África do Sul, 2001), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas (Conaq), que representa cerca de 5.000 comunidades de remanescentes de quilombos do Brasil, aproveitou para abrir o verbo e denunciar o travamento do processo de titulação de suas terras, sob forte bombardeio dos ruralistas e empresas mineradoras, num ambiente de evidente retrocesso nas políticas desenvolvidas pelo governo Lula.
No Pará, das 401 comunidades quilombolas apenas 118 estão tituladas e com seus respectivos territórios legalmente reconhecidos pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Há, portanto, um largo, tortuoso e difícil caminho a percorrer.
No Pará, das 401 comunidades quilombolas apenas 118 estão tituladas e com seus respectivos territórios legalmente reconhecidos pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa). Há, portanto, um largo, tortuoso e difícil caminho a percorrer.
Perigo nos Andes
Brasil e Peru assinam protocolo para viabilizar a construção de seis hidrelétricas em território peruano a um custo estimado em US$ 4 bilhões. O dinheiro viria dos cofres do BNDES para a alegria de empreiteiras e indústrias eletrointensivas.
Um detalhe - e que detalhe - é convenientemente esquecido na matéria de O Globo. Os megaprojetos do presidente direitista Alan Garcia pretendem violar uma região encravada na Amazônia peruana, na qual (ainda) sobrevive um inestimável patrimônio socioambiental. Povos indígenas de diversas etnias, inclusive tribos isoladas, lutam para não serem as próximas vítimas do avanço da fronteira da devastação.
Um detalhe - e que detalhe - é convenientemente esquecido na matéria de O Globo. Os megaprojetos do presidente direitista Alan Garcia pretendem violar uma região encravada na Amazônia peruana, na qual (ainda) sobrevive um inestimável patrimônio socioambiental. Povos indígenas de diversas etnias, inclusive tribos isoladas, lutam para não serem as próximas vítimas do avanço da fronteira da devastação.
Colheita de corpos
O Pará, mais uma vez, sobe ao primeiro lugar do podium macabro do assassinato de trabalhadores rurais. Contrariando a propaganda falaciosa do governo do Estado, entre 2007 e 2008, o número de trabalhadores rurais mortos em conflitos de terra deu um salto de 5 para 13. Os números constam do último relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
terça-feira, 28 de abril de 2009
O bom pastor
Quem, nestes tempos cinzentos, tem a coragem para apontar o dedo e denunciar o lento e cruel etnocídio a que estão submetidos tantos povos indígenas, como no caso dos Guarani Kaiowá , mantidos nos infectos guetos no Mato Grosso do Sul sob o império do agronegócio?
Quem, com a coragem de remar contra a maré do senso comum, mantém viva a crítica à lógica que sustenta o chamado PAC e suas, pelo menos, 48 grandes obras que impactam direta e negativamente as populações indígenas brasileiras?
São poucos, de certo, que estão nessa categoria especial de quem não trafica sob nenhuma hipótese com o decoro e a dignidade inerentes à luta do povo. Entre estes, para orgulho dos paraenses, está Dom Erwin Krautler, bispo do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Em seu pronunciamento na reunião anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, São Paulo, cada palavra tem um peso, um significado e encerra uma promessa. Elas não são neutras, nem buscam a impossível conciliação entre os contrários, muito menos entre os antagônicos. Ao contrário: têm lado, tomam partido e escolhem a boa companhia dos que vivem - e sobrevivem penosamente - do suor de seu próprio rosto.
Suas palavras ardem como fogo - ao denunciar a iniquidade das injustiças, mas são bálsamo nas costas em carne viva dos pobres deste país. Que estas palavras honestas e radicais possam seguir germinando. E provocando a justa e imprescindível polêmica.
Quem, com a coragem de remar contra a maré do senso comum, mantém viva a crítica à lógica que sustenta o chamado PAC e suas, pelo menos, 48 grandes obras que impactam direta e negativamente as populações indígenas brasileiras?
São poucos, de certo, que estão nessa categoria especial de quem não trafica sob nenhuma hipótese com o decoro e a dignidade inerentes à luta do povo. Entre estes, para orgulho dos paraenses, está Dom Erwin Krautler, bispo do Xingu e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Em seu pronunciamento na reunião anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, São Paulo, cada palavra tem um peso, um significado e encerra uma promessa. Elas não são neutras, nem buscam a impossível conciliação entre os contrários, muito menos entre os antagônicos. Ao contrário: têm lado, tomam partido e escolhem a boa companhia dos que vivem - e sobrevivem penosamente - do suor de seu próprio rosto.
Suas palavras ardem como fogo - ao denunciar a iniquidade das injustiças, mas são bálsamo nas costas em carne viva dos pobres deste país. Que estas palavras honestas e radicais possam seguir germinando. E provocando a justa e imprescindível polêmica.
Um dia a casa cai
O furo da revista Época desta semana, ao denunciar o esquema fraudulento liderado pelo ex-diretor de Recursos Humanos do Senado José Carlos Zoghbi, chama atenção pela desfaçatez de se utilizar uma anciã de 83 anos, ex-babá de sua família, como testa de ferro numa empresa acusada de fraudes de, pelo menos, R$ 3 milhões em contratos suspeitos. É apenas um dos elos da gigantesca cadeia de malfeitorias que, há muito tempo, operava nos corredores daquela vetusta Casa.
Fica, porém, a pergunta sobre a cadeia de comando que permitiu que essas quadrilhas agissem de forma impune e por tanto tempo. Quando e se a investigação for realizada de forma séria e rigorosa, poderão emergir as digitais de gente grande, grandíssima, que coordenava e protegia, de cima, a existência de um milionário vertedouro de recursos públicos.
Em todo caso, as pegadas estão todas aí, fresquinhas, esperando alguém com disposição e coragem para investigá-las.
Fica, porém, a pergunta sobre a cadeia de comando que permitiu que essas quadrilhas agissem de forma impune e por tanto tempo. Quando e se a investigação for realizada de forma séria e rigorosa, poderão emergir as digitais de gente grande, grandíssima, que coordenava e protegia, de cima, a existência de um milionário vertedouro de recursos públicos.
Em todo caso, as pegadas estão todas aí, fresquinhas, esperando alguém com disposição e coragem para investigá-las.
Bolso furado
Agora não são os ambientalistas que denunciam os malefícios da soja transgênica. A fonte do protesto não poderia ser mais insuspeita: são os próprios produtores rurais do Paraná, um dos mais ricos do país, que amargam grandes prejuízos com a contaminação da lavoura convencional pela poeira de grãos transgênicos. O resultado é a garfada de 2% a titulo de royalties para a onipotente Monsanto e, a piorar, a perda do bônus de R$ 2,00 por saca que o mercado oferece pela variedade tradicional de soja.
Baile sem máscaras
A prisão de dezoito integrantes da Via Campesina, fruto da ação policial realizada à mando da governadora Ana Júlia no amanhecer do último domingo, 26, em Tucuruí, sudeste do Pará, serve de emblema para se aquilatar até onde o PT e seus aliados estão dispostos a ir quando se trata de criminalizar os movimentso sociais. O elenco de crimes nos quais os ativistas estão indiciados - de sabotagem à extorsão e cárcere privado - revela a intenção intimidatória e o furor represssivo que só consegue ter paralelo no tratamento dispensado aos movimentos sociais nos anos mais sombrios do regime militar.
A diferença, visível e incontestável, é que os gendarmes da ditadura não perdiam seu tempo com a propagação incessante da lorota de que as algemas e o tacão de ferro do aparato repressivo estão, em verdade, a serviço de algum insondável projeto "democrático e popular". Eram mais sinceros. Ou menos cínicos.
A diferença, visível e incontestável, é que os gendarmes da ditadura não perdiam seu tempo com a propagação incessante da lorota de que as algemas e o tacão de ferro do aparato repressivo estão, em verdade, a serviço de algum insondável projeto "democrático e popular". Eram mais sinceros. Ou menos cínicos.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Com o pé no freio
Compromissos profissionais impedem a atualização do Página Crítica nesta segunda-feira, 27. Amanhã, bem cedo, retornamos à rotina.
sábado, 25 de abril de 2009
Mais do mesmo
Em se tratando de governo Ana Júlia todo cuidado é pouco. Convém não emitir juízo apressado, ao sabor das primeiras informações. A chance de se confirmar o pior presságio é sempre enorme, colocando os otimistas - se é que ainda existem - em posição desconfortável.
Sob cerco do agrobanditismo e da mídia de aluguel, era de se esperar que o governo buscasse se amparar na mobilização social e na denúncia, contundente e bem fundamentada, do processo criminoso de grilagem que assola a terra paraense desde tempos remotos. Certo? Não, infelizmente o caminho escolhido - errático e vacilante - se revela incapaz de compor uma face que nem de longe lembra o que se costuma denominar de popular e de esquerda. Disposto a flanar por sobre interesses abertamente antagônicos, mas repetindo ad nauseam o discurso de não tolerar a ilegalidade e "nem excessos de quem quer que seja", o governo da mal alinhavada aliança PT/PMDB deu, ontem, sinais nítidos de que está muito pouco disposto a contrariar, de verdade, os desejos de quem possui o poder real e efetivo.
Primeiro, a "operação desarmamento", realizada com enorme e injustificável atraso, consegue apreender - pasmem - uma única arma, de fabricação caseira e usada para a caça, num dos muitos acampamentos do MST existentes na PA-150. Sobre o reluzente arsenal à disposição dos capangas a soldo dos prepostos de Daniel Dantas, nenhuma palavra. Decerto, a polícia deverá esperar mais algumas semanas até que algum juiz autorize a busca e apreensão nos limites da propriedade privada, grilada até o último centímetro, como o próprio Estado afirma em ações que se arrastam em instâncias e foros judiciais muito pouco ágeis quando precisa impor algum revés aos ocupantes do andar de cima.
E, segundo, para arrematar, veio esse ridículo indiciamento do coordenador do MST, Charles Trocate, acusado de incitamento à violência. Convenhamos, falta criatividade aos estrategistas da governadora. Essa ideia absurda tem o copyright da senadora Kátia Abreu e de seus asseclas, interessados, eles sim, no aprofundamento de um clima de violência generalizada contra os mais fracos.
Daí que as próximas semanas tendem a ser dramáticas no campo paraense, que felizmente ainda possui movimentos que não trocaram suas rubras bandeiras por reluzentes chapas brancas da cooptação. São essas forças vivas da luta do povo que saberão dar a resposta correta aos seus inimigos de classe e a todos os que, direta ou indiretamente, assumem o triste papel de vassalos de uma ordem iníqua e imoral.
Sob cerco do agrobanditismo e da mídia de aluguel, era de se esperar que o governo buscasse se amparar na mobilização social e na denúncia, contundente e bem fundamentada, do processo criminoso de grilagem que assola a terra paraense desde tempos remotos. Certo? Não, infelizmente o caminho escolhido - errático e vacilante - se revela incapaz de compor uma face que nem de longe lembra o que se costuma denominar de popular e de esquerda. Disposto a flanar por sobre interesses abertamente antagônicos, mas repetindo ad nauseam o discurso de não tolerar a ilegalidade e "nem excessos de quem quer que seja", o governo da mal alinhavada aliança PT/PMDB deu, ontem, sinais nítidos de que está muito pouco disposto a contrariar, de verdade, os desejos de quem possui o poder real e efetivo.
Primeiro, a "operação desarmamento", realizada com enorme e injustificável atraso, consegue apreender - pasmem - uma única arma, de fabricação caseira e usada para a caça, num dos muitos acampamentos do MST existentes na PA-150. Sobre o reluzente arsenal à disposição dos capangas a soldo dos prepostos de Daniel Dantas, nenhuma palavra. Decerto, a polícia deverá esperar mais algumas semanas até que algum juiz autorize a busca e apreensão nos limites da propriedade privada, grilada até o último centímetro, como o próprio Estado afirma em ações que se arrastam em instâncias e foros judiciais muito pouco ágeis quando precisa impor algum revés aos ocupantes do andar de cima.
E, segundo, para arrematar, veio esse ridículo indiciamento do coordenador do MST, Charles Trocate, acusado de incitamento à violência. Convenhamos, falta criatividade aos estrategistas da governadora. Essa ideia absurda tem o copyright da senadora Kátia Abreu e de seus asseclas, interessados, eles sim, no aprofundamento de um clima de violência generalizada contra os mais fracos.
Daí que as próximas semanas tendem a ser dramáticas no campo paraense, que felizmente ainda possui movimentos que não trocaram suas rubras bandeiras por reluzentes chapas brancas da cooptação. São essas forças vivas da luta do povo que saberão dar a resposta correta aos seus inimigos de classe e a todos os que, direta ou indiretamente, assumem o triste papel de vassalos de uma ordem iníqua e imoral.
Dialética do batismo de fogo
"Requerimiento
(...)
Se não o fizerdes (converterem-se à fé católica), ou nisto puserdes maliciosamente dilação, certifico-vos que com a ajuda de Deus eu entrarei poderosamente contra vós e vos farei guerra por todas as partes e maneira que puder, e vos sujeitarei ao jugo e obediência da Igreja e de Sua Majestade e tomarei vossas mulheres e filhos e vos farei escravos, e como tais vos venderei, e disporei de vós como Sua Majestade mandar, e tomarei vossos bens e vos farei todos os males e danos que puder...".
Segundo Eduardo Galeano, citando Daniel Vidart (Ideología y realidad de América, Montividéu, 1968), era mais ou menos nestes termos a proclama que os capitães da conquista, lá pelos idos de 1492, deveriam ler para os índios antes de se assenhorar, em nome da cruz e da espada, das magníficas riquezas naturais e humanas do novo mundo que estava nascendo. O anúncio solene era feito, com toda a pompa e circunstância, mas sem intérprete, para nações que jamais tinham ouvido qualquer palavra em espanhol.
Esta preciosa e sempre atual passagem foi incluída na parte 1 (A pobreza do homem como resultado da riqueza da terra) do indispensável best-seller de Galeano, As veias abertas da América Latina, cuja primeira edição data de 1976.
Páginas ácidas e radicais, como a própria vida em tempos cinzentos, podem agora repousar à cabeceira de Barack Obama, após o singelo regalo que recebeu de Hugo Chávez na recente Cúpula das Américas. Chávez, aliás, que afirma ter sido cortés com o colega norte-americano, sem contudo cultivar qualquer tipo de ilusão. Afinal, quem hoje desempenha o papel de senhor do mundo que no passado coube a Fernando de Aragão e Isabel de Castela, não deve possuir nem a mais pálida capacidade de conversão.
(...)
Se não o fizerdes (converterem-se à fé católica), ou nisto puserdes maliciosamente dilação, certifico-vos que com a ajuda de Deus eu entrarei poderosamente contra vós e vos farei guerra por todas as partes e maneira que puder, e vos sujeitarei ao jugo e obediência da Igreja e de Sua Majestade e tomarei vossas mulheres e filhos e vos farei escravos, e como tais vos venderei, e disporei de vós como Sua Majestade mandar, e tomarei vossos bens e vos farei todos os males e danos que puder...".
Segundo Eduardo Galeano, citando Daniel Vidart (Ideología y realidad de América, Montividéu, 1968), era mais ou menos nestes termos a proclama que os capitães da conquista, lá pelos idos de 1492, deveriam ler para os índios antes de se assenhorar, em nome da cruz e da espada, das magníficas riquezas naturais e humanas do novo mundo que estava nascendo. O anúncio solene era feito, com toda a pompa e circunstância, mas sem intérprete, para nações que jamais tinham ouvido qualquer palavra em espanhol.
Esta preciosa e sempre atual passagem foi incluída na parte 1 (A pobreza do homem como resultado da riqueza da terra) do indispensável best-seller de Galeano, As veias abertas da América Latina, cuja primeira edição data de 1976.
Páginas ácidas e radicais, como a própria vida em tempos cinzentos, podem agora repousar à cabeceira de Barack Obama, após o singelo regalo que recebeu de Hugo Chávez na recente Cúpula das Américas. Chávez, aliás, que afirma ter sido cortés com o colega norte-americano, sem contudo cultivar qualquer tipo de ilusão. Afinal, quem hoje desempenha o papel de senhor do mundo que no passado coube a Fernando de Aragão e Isabel de Castela, não deve possuir nem a mais pálida capacidade de conversão.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
A marcha da insensatez
Alfredo Nascimento, Dilma Rousseff e Lula - não necessariamente nessa ordem - seguem jogando pesado para tornar irreversível a pavimentação da BR-319 (Manaus-Porto Velho). A derrubada, em tempo recorde, de uma liminar que suspendia por 90 dias o processo de audiências públicas, apontado pelos procuradores federais como deficiente e pouco representativo, foi só mais um passo e não será o último. Pouco importa se o que está em jogo é a abertura e ampliação de uma enorme ferida no coração da floresta Amazônica.
A nova estrada, concebida como corredor de exportação para a soja do Centro-Oeste, servirá de alavanca de uma devastação socioambiental sem precedentes. Alguém ainda duvida?
A nova estrada, concebida como corredor de exportação para a soja do Centro-Oeste, servirá de alavanca de uma devastação socioambiental sem precedentes. Alguém ainda duvida?
Difíceis, sujos, perigosos e...descartáveis
Virou pesadelo o sonho de ganhar dinheiro no Japão para os mais de 300 mil trabalhadores migrantes brasileiros (dekasseguis). Atraídos por uma política mais flexível de imigração a partir dos anos 90, esses descendentes de japoneses passaram a ocupar os piores empregos, conhecidos por trabalhos três K (kitsui, kitanai, kiken — ou difíceis, sujos e perigosos).
Agora, com a violenta recessão que atinge a economia japonesa, o governo resolveu colocar em ação um plano anti-imigração de claro conteúdo xenófobo. Ao trabalhador e seus familiares são oferecidas vantagens (passagem aérea e US$ 2 mil por cada dependente) para que retornem ao seu país de origem (Brasil e Peru, fundamentalmente), desde que aceitem jamais retornar ao Japão. É uma espécie de degredo perpétuo, extensivo aos descendentes, inclusive.
Já está tardando em demasia uma resposta da chancelaria brasileira, com a altivez e firmeza que o caso requer, para protestar contra essas normas que são uma afronta às normas internacionais de proteção ao trabalho e, de forma flagrante, arrebentam com o princípio do tratamento isonômico que deve prevalecer entre os nacionais de ambos os países.
Agora, com a violenta recessão que atinge a economia japonesa, o governo resolveu colocar em ação um plano anti-imigração de claro conteúdo xenófobo. Ao trabalhador e seus familiares são oferecidas vantagens (passagem aérea e US$ 2 mil por cada dependente) para que retornem ao seu país de origem (Brasil e Peru, fundamentalmente), desde que aceitem jamais retornar ao Japão. É uma espécie de degredo perpétuo, extensivo aos descendentes, inclusive.
Já está tardando em demasia uma resposta da chancelaria brasileira, com a altivez e firmeza que o caso requer, para protestar contra essas normas que são uma afronta às normas internacionais de proteção ao trabalho e, de forma flagrante, arrebentam com o princípio do tratamento isonômico que deve prevalecer entre os nacionais de ambos os países.
Causa e efeito
Ano passado, o governo Lula não titulou nenhuma nova área de comunidade remanescente de quilombo. Nenhuma sequer. Ao mesmo tempo, contrariando os interesses dos quilombolas, o do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) editou a Instrução Normativa 49, indrotuzindo mecanismos burocráticos para dificultar o reconhecimento legal dessas comunidades - hoje, no Brasil, são 96 territórios quilombolas e 159 comunidades com terras tituladas.
A cobiça do agronegócio e das mineradoras pelas terras reivindicadas por essas comunidades - pobres entre os mais pobres - está na raiz desse recuo.
A cobiça do agronegócio e das mineradoras pelas terras reivindicadas por essas comunidades - pobres entre os mais pobres - está na raiz desse recuo.
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