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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Cara de um, focinho do outro
Um aspecto, porém, permanece nebuloso: adversários de ontem, aliados de ocasião de hoje, têm a cada dia muito mais em comum do que admitem publicamente. Estão se tornando parecidos - nos métodos e nos propósitos - num mimetismo político que faz tábula rasa de antigas fronteiras ideológicas que alguns julgavam intransponíveis.
Ocorre que a travessia do Rubicão ocorreu e já faz bastante tempo. Só os ingênuos e os crédulos de carteirinha fizeram de conta que os fins blindariam os meios, impedindo a inevitável contaminação.
Hoje, cores partidárias e veleidades ideológicas parecem ser meras abstrações. Ou pior: são na verdade simples alegorias - de péssimo gosto, por sinal - para justificar malabarismo em nome de governabilidades unidas pelo fio condutor da gula incontrolável pelo malfeito.
Trincheira boreal
Mas, atenção: se a tática de demolir o estado de bem-estar social canadense der mesmo certo, logo algum executivo vai propor que o facão afiado se desloque para fatiar as esquálidas vantagens duramente conquistadas pelo operariado verde-e-amarelo.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Ver para crer
sábado, 10 de outubro de 2009
O grande salto (para trás)
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Dialética da revolução dos sentidos
A página do relâmpago elétrico
Abre a folha do livro
Que eu lhe dou para guardar
E desata o nó dos cinco sentidos
Para se soltar
Que nem o som clareia o céu nem é de manhã
E anda debaixo do chão
Mas avoa que nem asa de avião
Pra rolar e viver levando jeito
De seguir rolando
Que nem canção de amor no firmamento
Que alguém pegou no ar
E depois jogou no mar
Pra viver do outro lado da vida
E saber atravessar
Prosseguir viagem numa garrafa
Onde o mar levar
Que é a luz que vai tecer o motor da lenda
Cruzando o céu do sertão
E um cego canta até arrebentar
O sertão vai virar mar
O mar vai virar sertão
Não ter medo de nenhuma careta
Que pretende assustar
Encontrar o coração do planeta
E mandar parar
Pra dar um tempo de prestar atenção nas coisas
Fazer um minuto de paz
Um silêncio que ninguém esquece mais
Que nem ronco do trovão
Que eu lhe dou para guardar
A paixão é que nem cobra de vidro
E também pode quebrar
Faz o jogo e abre a folha do livro
Apresenta o ás
Pra renascer em cada pedaço que ficou
E o grande amor vai juntar
E é coisa que ninguém separa mais
Que nem ronco de trovão
Que eu lhe dou para guardar
Composição: Ronaldo Bastos e Beto Guedes