A frota de navios de bandeira turca, com mais de 750 passageiros a bordo, estava em águas internacionais.
Vale dizer: sob a proteção de leis e convenções aceitas por quase todos os países do mundo.
Por quase todos, bem entendido.
Israel, por exemplo, é um Estado que se julga acima dessas leis.
Na verdade, em bom português, trata-se de um estado fora da lei, que pratica a violação do direito internacional de forma contumaz. E não é de hoje. Desde 1948, quando nasceu como país, não faz outra coisa senão praticar a lei da selva e a apologia da barbárie.
Por isso mesmo, não deve causar surpresa que tropas especiais israelenses tenham atacado, como bucaneiros modernos, os navios que traziam toneladas de ajuda humanitária à população palestina da etermanente sitiada Faixa de Gaza.
Ajuda humanitária e não armas, que fique claro.
Os ativistas, desarmados, usaram seu inalianável direito à resistência.
E pagaram caro pela ousadia: pelo menos 19 mortos e muitos feridos.
Um massacre.
Mais um massacre que permanecerá impune.
Até quando?
Política. Cultura. Comportamento. Território destinado ao debate livre. Entre e participe, sem pedir licença.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Tem gato na tuba
Se a candidatura do deputado Domingos Juvenil (PMDB) ao governo do Estado vai ter ou não longevidade só as próximas semanas poderão responder.
Por trás desta inusitada aventura já se pode enxergar uma ou outra figura política exótica, o que deveria acender de imediato o sinal de alerta.
Uma das digitais, por exemplo, responde pelo nome de Mário Couto.
O histriônico senador tucano foi um dos maiores lançadores de lenha nessa fogueira (de tantas vaidades e interesses).
A ação encoberta (?) sinaliza uma traição antecipada ao candidato consagrado pelo partido, o ex-governador Simão Jatene.
O fato de Almir Gabriel também integrar a célula semi-clandestina que trabalha pela viabilização desta suposta - e pouco crível - terceira via, só acrescenta componentes de imponderabilidade em todo o quadro.
Prepara-se, então, uma Noite de São Bartolomeu. Falta apenas definir quantos - e quais - serão imolados quando a hora decisiva chegar.
Por trás desta inusitada aventura já se pode enxergar uma ou outra figura política exótica, o que deveria acender de imediato o sinal de alerta.
Uma das digitais, por exemplo, responde pelo nome de Mário Couto.
O histriônico senador tucano foi um dos maiores lançadores de lenha nessa fogueira (de tantas vaidades e interesses).
A ação encoberta (?) sinaliza uma traição antecipada ao candidato consagrado pelo partido, o ex-governador Simão Jatene.
O fato de Almir Gabriel também integrar a célula semi-clandestina que trabalha pela viabilização desta suposta - e pouco crível - terceira via, só acrescenta componentes de imponderabilidade em todo o quadro.
Prepara-se, então, uma Noite de São Bartolomeu. Falta apenas definir quantos - e quais - serão imolados quando a hora decisiva chegar.
sábado, 29 de maio de 2010
Dialética das dores&delícias do jornalismo
"(...)
No melhor dos cenários, jornalistas instalam-se à margem da história da mesma maneira que vulcanogistas escalam uma cratera fumegante, tentando olhar para seu interior em meio a fumaça e cinzas, esticando os pescoços sobre a beirada que ameaça cair. Os governos procuram assegurar que tudo permaneça como está. Suspeito de que seja isto de que trata o jornalismo - ou pelo menos aquilo que deveria ser: assistir à história e testemunhá-la e, então, apesar dos perigos e restrições e de nossas imperfeições humanas, registrar tudo da maneira mais honesta possível."
Robert Fisk (1946), jornalista e escritor inglês, considerado o mais importante e completo correspondente de guerra em atividade. Pobre Nação. As Guerras do Líbano no século XX ( Rio de Janeio: Record, 2007, p.10)
No melhor dos cenários, jornalistas instalam-se à margem da história da mesma maneira que vulcanogistas escalam uma cratera fumegante, tentando olhar para seu interior em meio a fumaça e cinzas, esticando os pescoços sobre a beirada que ameaça cair. Os governos procuram assegurar que tudo permaneça como está. Suspeito de que seja isto de que trata o jornalismo - ou pelo menos aquilo que deveria ser: assistir à história e testemunhá-la e, então, apesar dos perigos e restrições e de nossas imperfeições humanas, registrar tudo da maneira mais honesta possível."
Robert Fisk (1946), jornalista e escritor inglês, considerado o mais importante e completo correspondente de guerra em atividade. Pobre Nação. As Guerras do Líbano no século XX ( Rio de Janeio: Record, 2007, p.10)
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Velas ao mar
A blogosfera é como um enorme oceano.
Ao jogar sua rede tudo pode acontecer.
Não raro, ao invés de um belo e copioso cardume a pescaria pode resultar em frustração total.
Sua rede pode vir à tona lotada de lixo devidamentecoberto com o fino verniz do embuste.
Encontrar grãos de trigo misturados em tanto joio é uma tarefa tão difícil quanto indispensável nestes dias turbulentos.
Por isso mesmo, merece destaque o surgimento do Blog da Repórter, que acaba de ser trazido ao mundo pelas mãos competentes da jornalista Rita Soares.
Eis aí uma leitura obrigatória para quem pretende navegar em busca de informação correta e de qualidade.
Ao jogar sua rede tudo pode acontecer.
Não raro, ao invés de um belo e copioso cardume a pescaria pode resultar em frustração total.
Sua rede pode vir à tona lotada de lixo devidamentecoberto com o fino verniz do embuste.
Encontrar grãos de trigo misturados em tanto joio é uma tarefa tão difícil quanto indispensável nestes dias turbulentos.
Por isso mesmo, merece destaque o surgimento do Blog da Repórter, que acaba de ser trazido ao mundo pelas mãos competentes da jornalista Rita Soares.
Eis aí uma leitura obrigatória para quem pretende navegar em busca de informação correta e de qualidade.
Quem tem medo do lobo mau?
Hillary Clinton abriu a caixa de ferramentas.
Sem dó nem piedade, desancou o esforço de Brasil e Turquia para pavimentar uma saída diplomática à crise nuclear iraniana.
A dama estadunidense fez cara de brava e arreganhou os dentes: o Brasil dá "tempo" ao Irã e torna o mundo "mais perigoso".
A retórica da chanceler dos Estados Unidos está no limite da hidrofobia. Não faz qualquer contraste com seus antecessores diretos quanto alertavam o mundo contra o "Eixo do Mal" e tratavam de criar o clima para a guerra, que acabou chegando com choque e pavor.
As armas de destruição em massa de Sadam viraram um traque. Era uma impostura da CIA e do Pentágono.
A suposta capacidade de fabricação de artefatos nucleares pelo Irã - que está longe, mas muito longe disso - também não passa de uma piada de péssimo gosto.
Brasil e Turquia estão se comportando como gente grande, de espinha ereta e com olhos para o futuro.
O tempo - senhor do destino - dirá quem tinha razão quando o que hoje parece ser apenas mais uma ópera bufa explodir em pólvora e aço. E, quando o petróleo - sempre ele - estiver no centro de uma nova e ainda mais sangrenta guerra colonial.
Sem dó nem piedade, desancou o esforço de Brasil e Turquia para pavimentar uma saída diplomática à crise nuclear iraniana.
A dama estadunidense fez cara de brava e arreganhou os dentes: o Brasil dá "tempo" ao Irã e torna o mundo "mais perigoso".
A retórica da chanceler dos Estados Unidos está no limite da hidrofobia. Não faz qualquer contraste com seus antecessores diretos quanto alertavam o mundo contra o "Eixo do Mal" e tratavam de criar o clima para a guerra, que acabou chegando com choque e pavor.
As armas de destruição em massa de Sadam viraram um traque. Era uma impostura da CIA e do Pentágono.
A suposta capacidade de fabricação de artefatos nucleares pelo Irã - que está longe, mas muito longe disso - também não passa de uma piada de péssimo gosto.
Brasil e Turquia estão se comportando como gente grande, de espinha ereta e com olhos para o futuro.
O tempo - senhor do destino - dirá quem tinha razão quando o que hoje parece ser apenas mais uma ópera bufa explodir em pólvora e aço. E, quando o petróleo - sempre ele - estiver no centro de uma nova e ainda mais sangrenta guerra colonial.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Uma Gestapo verde e amarela?
Estudantes correndo em desespero.
Uma enorme nuvem de gás e muita pancada distribuída fartamente.
Os portões da Universidade são invadidos pelas tropas.
O que ainda existia de autonomia foi pelo ralo na mesma proporção em que os soldados passam a prender os manifestantes. Agem como uma soldadesca furiosa, típica de qualquer ditadura.
Mas, muita atenção: esses militares são brasileiros, pagos com o dinheiro do contribuinte de nosso país.
A missão deles - supostamente, of course - é levar "Paz e Estabilização" ao destroçado Haiti.
Ao reprimir, com violência típica das tropas de ocupação, um ato de protesto civil, pácífico e constitucional, revelam sua verdadeira face de títeres a serviço de potências imperiais.
A propósito, a jornada dos estudantes haitianos que foi duramente reprimida levantava duas bandeiras singelas: a renúncia do presidente-fantoche René Preval e a retirada imediata das forças da ONU, lideradas pelo Brasil.
É hora de nossos soldados voltarem para casa.
Antes que cubram definitivamente de vergonha (e de mais sangue inocente) a bandeira que juraram defender.
Uma enorme nuvem de gás e muita pancada distribuída fartamente.
Os portões da Universidade são invadidos pelas tropas.
O que ainda existia de autonomia foi pelo ralo na mesma proporção em que os soldados passam a prender os manifestantes. Agem como uma soldadesca furiosa, típica de qualquer ditadura.
Mas, muita atenção: esses militares são brasileiros, pagos com o dinheiro do contribuinte de nosso país.
A missão deles - supostamente, of course - é levar "Paz e Estabilização" ao destroçado Haiti.
Ao reprimir, com violência típica das tropas de ocupação, um ato de protesto civil, pácífico e constitucional, revelam sua verdadeira face de títeres a serviço de potências imperiais.
A propósito, a jornada dos estudantes haitianos que foi duramente reprimida levantava duas bandeiras singelas: a renúncia do presidente-fantoche René Preval e a retirada imediata das forças da ONU, lideradas pelo Brasil.
É hora de nossos soldados voltarem para casa.
Antes que cubram definitivamente de vergonha (e de mais sangue inocente) a bandeira que juraram defender.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Guerra nas Estrelas
Carlos Slim, o plutocrata mexicano que soube como ninguém crescer - e crescer extraordinariamente - na farra das privatizações nos anos 90, está cada vez mais guloso.
Quer lucrar mais, e para isso vai montando e remontando suas múltiplas empresas, no exterior e no Brasil.
Para disputar em melhores condições com a concorrência, quase toda multinacional, sob a bandeira dos portugueses, italianos e, agora, franceses que pretendem ingressar no lucrativo filão da banda 3G.
Aqui, ele controla a Claro, a Embratel e 49% da Net, em sociedade com a família Marinho.
Seu sonho de consumo, porém, é ampliar seus domínios sobre a TV aberta, enfeixando num mesmo pacote as quatro áreas (telefonia fixa, móvel, TV aberta e Tv paga).
Para isso, sonha com a aprovação do PL 29/2007 que tramita no Congresso e pretende, assim sem o menor pudor, permitir que estrangeiros possam ter o controle de empresas de telecomunicações.
Eis aí um bom assunto para ser escancarado à opinião pública antes que seja tarde demais.
Quer lucrar mais, e para isso vai montando e remontando suas múltiplas empresas, no exterior e no Brasil.
Para disputar em melhores condições com a concorrência, quase toda multinacional, sob a bandeira dos portugueses, italianos e, agora, franceses que pretendem ingressar no lucrativo filão da banda 3G.
Aqui, ele controla a Claro, a Embratel e 49% da Net, em sociedade com a família Marinho.
Seu sonho de consumo, porém, é ampliar seus domínios sobre a TV aberta, enfeixando num mesmo pacote as quatro áreas (telefonia fixa, móvel, TV aberta e Tv paga).
Para isso, sonha com a aprovação do PL 29/2007 que tramita no Congresso e pretende, assim sem o menor pudor, permitir que estrangeiros possam ter o controle de empresas de telecomunicações.
Eis aí um bom assunto para ser escancarado à opinião pública antes que seja tarde demais.
terça-feira, 25 de maio de 2010
É a economia, estúpido
A relativa redução no desmatamento, registrada entre 2004 e 2006, teve uma origem objetiva: o desaquecimento na demanda pelas commodities florestais.
O que era óbvio, e desmente o discurso oficial que procurou capitalizar o fato, agora é confirmado por uma interessante trabalho científico coordenado por pesquisadores da UFMG.
O que era óbvio, e desmente o discurso oficial que procurou capitalizar o fato, agora é confirmado por uma interessante trabalho científico coordenado por pesquisadores da UFMG.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Ecos do passado
1975.
O mundo começa a conhecer os horrores do regime de apartheid na África do Sul.
As ruas de Soweto, as mesmas que dentro de dias receberão multidões de turistas para a Copa do Mundo, em breve seriam varridas pelo fogo das armas dos racistas. Centenas de vítimas civis em enormes poças de sangue.
Entrementes, no regaço de negociações diplomáticas secretíssimas, Shimon Peres, então Ministro da Defesa de Israel e P. W. Botha, seu homônimo da África do Sul, negociavam em silêncio e nas sombras.
Mas sobre o que tratavam?
A África do Sul já estava isolada e previa que o embargo internacional tenderia a se intensificar.
O Estado de Israel, envolto em intermináveis guerras com seus vizinhos árabes, buscava estreitar laços diplomáticos e comerciais com um regime amplamente repudiado.
Identidade de interesses?
Semelhança de métodos?
O jornal britânico de The Guardian, em primeira mão, revela que era muito, muito mais.
Os governantes de Israel agiram, naquele momento, como mercadores. Mercadores da morte em ampla e enorme escala.
Sobre a mesa dos negociantes, armas de todos os tipos. Convencionais, químicas e... nucleares.
Sim, justamente do arsenal - ilegal sob todas as normas internacionais - que Israel jamais admitiu possuir e tampouco se deu ao trabalho de negar publicamente.
Uma história do passado que diz muito, mas muito mesmo, da atual fobia artificialmente criada para isolar o regime iraniano e preparar as condições para novas e mais sangrentas aventuras bélicas dos Estados Unidos e seus aliados.
Aqui, a matéria do The Guardian (em inglês).
Aqui, a repercussão no portal G1.
O mundo começa a conhecer os horrores do regime de apartheid na África do Sul.
As ruas de Soweto, as mesmas que dentro de dias receberão multidões de turistas para a Copa do Mundo, em breve seriam varridas pelo fogo das armas dos racistas. Centenas de vítimas civis em enormes poças de sangue.
Entrementes, no regaço de negociações diplomáticas secretíssimas, Shimon Peres, então Ministro da Defesa de Israel e P. W. Botha, seu homônimo da África do Sul, negociavam em silêncio e nas sombras.
Mas sobre o que tratavam?
A África do Sul já estava isolada e previa que o embargo internacional tenderia a se intensificar.
O Estado de Israel, envolto em intermináveis guerras com seus vizinhos árabes, buscava estreitar laços diplomáticos e comerciais com um regime amplamente repudiado.
Identidade de interesses?
Semelhança de métodos?
O jornal britânico de The Guardian, em primeira mão, revela que era muito, muito mais.
Os governantes de Israel agiram, naquele momento, como mercadores. Mercadores da morte em ampla e enorme escala.
Sobre a mesa dos negociantes, armas de todos os tipos. Convencionais, químicas e... nucleares.
Sim, justamente do arsenal - ilegal sob todas as normas internacionais - que Israel jamais admitiu possuir e tampouco se deu ao trabalho de negar publicamente.
Uma história do passado que diz muito, mas muito mesmo, da atual fobia artificialmente criada para isolar o regime iraniano e preparar as condições para novas e mais sangrentas aventuras bélicas dos Estados Unidos e seus aliados.
Aqui, a matéria do The Guardian (em inglês).
Aqui, a repercussão no portal G1.
domingo, 23 de maio de 2010
Dialética da canção que se levanta em rebeldia
"Canto Libertador
Escuta, nos poemas que te oferto,
batidas de tambor, rumor de remos
retalhando essas águas seculares
onde remaram nossos bisavós.
Ouve os gritos de dor rasgando o tempo
nos porões dos navios, nas senzalas,
nos troncos, nas fazendas, nos garimpos
a retumbar no âmago de nós.
É preciso correr! O tempo urge!
Carece remover o esterco, a lama
que a História sobre nós depositou.
E é preciso cantar! Ódio e tristeza
não trarão água e pão à nossa mesa,
não combrirão de flores nosso chão."
Antonio Juraci Siqueira (1948, nas margens do rio Cajary, arquipélago do Marajó), poeta paraense. Uirá-Pirá (Belém: edição do autor, 2004, p.33).
Escuta, nos poemas que te oferto,
batidas de tambor, rumor de remos
retalhando essas águas seculares
onde remaram nossos bisavós.
Ouve os gritos de dor rasgando o tempo
nos porões dos navios, nas senzalas,
nos troncos, nas fazendas, nos garimpos
a retumbar no âmago de nós.
É preciso correr! O tempo urge!
Carece remover o esterco, a lama
que a História sobre nós depositou.
E é preciso cantar! Ódio e tristeza
não trarão água e pão à nossa mesa,
não combrirão de flores nosso chão."
Antonio Juraci Siqueira (1948, nas margens do rio Cajary, arquipélago do Marajó), poeta paraense. Uirá-Pirá (Belém: edição do autor, 2004, p.33).
Tudo pelo capital
É uma matemática estranha.
Grande parte do dinheiro sairá dos cofres do BNDES, a juros subsídiados e a longo prazo.
Pelo menos 80% dos quase 20 bi (que serão esticados durante a obra para 30 bi ou mais) serão drenados do Tesouro, deixando de atender as demandas mais urgentes e necessárias ao povo brasileiro.
Parte da infraestrutura e das chamadas medidas mitigadoras - eufemismo para designar a tentativa de amenizar os terríveis impactos socioambientais - também serão custeadas pelos cofres públicos.
Porém, a usina de Belo Monte, esta verdadeira tara do governo Lula&Dilma&Grandes empreiteiras, receberá sócios estatais até o limite de 49,98%.
Por que não 51%?
Por que não atribuir a este dito projeto estratégico, apontado como a própria salvação da lavoura do modelo de crescimento a qualquer custo, a chancela do controle público?
Eis aí uma belíssima pergunta. Melhor: uma pergunta constrangedora e inconveniente.
A privatização, palavra maldita na presente quadra eleitoral, possui mesmo variadas e múltiplas maneiras de se manifestar.
As formas mais sutis, ou mais encobertas, costumam ser as mais eficientes.
Grande parte do dinheiro sairá dos cofres do BNDES, a juros subsídiados e a longo prazo.
Pelo menos 80% dos quase 20 bi (que serão esticados durante a obra para 30 bi ou mais) serão drenados do Tesouro, deixando de atender as demandas mais urgentes e necessárias ao povo brasileiro.
Parte da infraestrutura e das chamadas medidas mitigadoras - eufemismo para designar a tentativa de amenizar os terríveis impactos socioambientais - também serão custeadas pelos cofres públicos.
Porém, a usina de Belo Monte, esta verdadeira tara do governo Lula&Dilma&Grandes empreiteiras, receberá sócios estatais até o limite de 49,98%.
Por que não 51%?
Por que não atribuir a este dito projeto estratégico, apontado como a própria salvação da lavoura do modelo de crescimento a qualquer custo, a chancela do controle público?
Eis aí uma belíssima pergunta. Melhor: uma pergunta constrangedora e inconveniente.
A privatização, palavra maldita na presente quadra eleitoral, possui mesmo variadas e múltiplas maneiras de se manifestar.
As formas mais sutis, ou mais encobertas, costumam ser as mais eficientes.
sábado, 22 de maio de 2010
A violência nossa de cada dia
Quinta-feira, 20, no meio da tarde, numa movimentada rua de um bairro periférico de Belém.
De repente, faz-se o pânico. É mais um assalto.
Ouve-se um tiro e um jovem cai baleado.
O assaltante foge levando a motocicleta da vítima enquanto uma pequena multidão se forma para ver, com os próprios olhos, o que já está virando rotina.
Na véspera, num bairro mais próximo do centro, um jovem universitário de 22 anos perdia a vida em um assalto semelhante.
Mais uma vítima, número frio de estatísticas que só revelam o óbvio: a política de segurança pública faliu e faliu fragorosamente.
Nos jornais de hoje a polícia anuncia que teria desvendado o crime com a prisão - ou, mais especificamente, com a apresentação dos jovens - tragédia dentro da tragédia - que confessaram participação no assassinato.
Providência tardia e que está muito longe de reparar a dor da família enlutada ou amenizar o sentimento de desproteção que engolfa toda a sociedade.
O império da droga com suas múltiplas e sinistras conexões segue ditando as regras. Regras que implicam em matar ou morrer, como se nada mais tivesse qualquer importância.
Está, portanto, a cada momento mais evidente que não é possível tratar essa fratura exposta com doses esporádicas de aspirana.
De repente, faz-se o pânico. É mais um assalto.
Ouve-se um tiro e um jovem cai baleado.
O assaltante foge levando a motocicleta da vítima enquanto uma pequena multidão se forma para ver, com os próprios olhos, o que já está virando rotina.
Na véspera, num bairro mais próximo do centro, um jovem universitário de 22 anos perdia a vida em um assalto semelhante.
Mais uma vítima, número frio de estatísticas que só revelam o óbvio: a política de segurança pública faliu e faliu fragorosamente.
Nos jornais de hoje a polícia anuncia que teria desvendado o crime com a prisão - ou, mais especificamente, com a apresentação dos jovens - tragédia dentro da tragédia - que confessaram participação no assassinato.
Providência tardia e que está muito longe de reparar a dor da família enlutada ou amenizar o sentimento de desproteção que engolfa toda a sociedade.
O império da droga com suas múltiplas e sinistras conexões segue ditando as regras. Regras que implicam em matar ou morrer, como se nada mais tivesse qualquer importância.
Está, portanto, a cada momento mais evidente que não é possível tratar essa fratura exposta com doses esporádicas de aspirana.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
De porteiras escancaradas
No forno da CNTBio a liberação de mais uma espécie transgênica.
Já se ouve o tilintar das moedas - muitos bilhões delas - nos cofres dos que mercantilizam a vida e a natureza.
Quem tem medo de cara feira?
Foi a direita subir nas tamancas diante da primeira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) para o governo Lula se apequenar.
De recuo em recuo, de olho nas urnas e temendo arranhões na imagem de sua candidata á Presidência, Lula foi fazendo concessões cada vez mais expressivas.
É por essas e outras que as transições brasileiras são o que são: uma requintada maneira de manter tudo, mas tudo mesmo, do jeito que os de cima - e seus acólitos - tanto gostam.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Mais do mesmo. E ainda falta tanto
Já virou lugar comum.
Dia sim, dia não, os procuradores do Ministério Público Federal detonam mais uma bateria de denúncias por improbidade administrativa contra o prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB) e sua, digamos assim, equipe.
As mais recentes ações somam quase R$ 35 milhões e esquartejam falcatruas na área da saúde e da habitação.
O que se espera, até porque não se deve perder a esperança na Justiça, é que alguma coisa aconteça. E aconteça a tempo de demonstrar que o crime não compensa.
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