sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Consumismo insano

Os dados são da feminista Rose Marie Murano em recente artigo pubicado no Correio Braziliense. A humanidade - vale dizer, sobretudo quem habita os países do centrais do capitalismo - está utilizando em consumo e desperdício algo como 1,3 planeta Terra. Isso é não só insustentável como profundamente injusto para os 3/4 restantes, que afundam na desesperança no que outrora se chamou de Terceiro Mundo. Nos anos 90, por exemplo, o PIB mundial cresceu em 134%, enquanto isso miséria saltou perto de 1.000%.
Romper essa cadeia que levará à destruição permanece como o desafio mais dramático para esse e todos os próximos anos.

Um comentário:

Alan Lemos disse...

A questão do consumo na perspectiva atual é tratada como um risco, algo que pode chegar a ser doença.

Eu gostaria de abordar outro aspecto do consumo. Na economia possuímos dois pólos distintos: produção e consumo. Em tese, um depende do outro e o outro depende do "um".

Porém, os economistas ortodoxos (que hoje têm seu modelo reexperimentado desde 1970's) acreditam com louvor que o ciclo da economia é movimentado pela produção: consumir não é a meta ou objetivo do capitalismo vivente, mas sim sua sustentação. Acreditam que basta produzir que "toda oferta 'faz' sua demanda" - como se demanda nascesse por obra do acaso.

Pode parecer estranho propor que o atual sistema não é "consumista", mas sim "produtivista". Pensemos sob a seguinte lógica: o proprietário de uma fábrica de telefones portáteis visa (como razão de ser) que mais pessoas adquiram e usem seus telefones para melhor seu "nível de satisfação" ou tem como meta vender aparelhos independente da finalidade de uso?

Ou o fazendeiro, por exemplo, a finalidade central de seu empreendimento é fornecer alimentos ao mercado ou auferir lucros dessa negociação?

A grande preocupação com a produção leva a políticas públicas (com destaque a países emergentes, nos últimos tempos) que esmeram-se em produzir, ao mesmo tempo que prestam pouca atenção ao fortalecimento do mercado interno. Conclusão: crises de superprodução e outros de ordem de soberania.

Atualmente, a produção é vista como meta e o consumo como sustentáculo - eu acredito que o consumo deve ser a razão, enquanto a produção deve ser seu sustentáculo. Mas atento: não se trata de consumo desenfreado e sim um "consumo digno".

Jota-Erri, queria te convidar a ler o meu mais recente artigo "País rico é país que consome" e, se possível, emitir alguma opinião.

Abraços e feliz ano novo,
Alan