quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ao som dos tambores

Verequete é nosso Rei


“O galo cantou, me deu alegria

O galo cantou, é sinal que vem o dia

O galo cantou no romper da aurora

O galo cantou e o Verequete vai embora”


Se é correto falar de imaginário amazônico, desde o ponto de vista de seu próprio povo, Verequete é, sem sombras de dúvidas, uma de suas sínteses mais belas e originais. Sua genialidade, expressada na força rítmico-melódica e na inventiva poética de suas composições, traduz uma postura filosófica, uma concepção e percepção de mundo, ao mesmo tempo amazônica e universal, simples e profunda como o mergulho de quem, empanemado de paixão, decide ir morar com “a sereia no fundo do mar”.


Augusto Gomes Rodrigues, ou melhor, Mestre Verequete, esse um que sabe “como é bom pescar na beira do mar em noite de luar”; esse caboclo cuja casinha “é tacada de taboca na beira de um riacho, coberta de pororoca” no bairro do Jurunas; esse mano velho que tão facilmente retira do coração u’a mágoa como se tirasse a flor e o limão da rama do limoeiro; esse é o mestre humilde e fraterno, consciente do valor de sua obra e do seu significado transformador da vida do povo.


Rei, comandante da coluna, Verequete faz rufar os tambores, organiza o terreiro para a luta, em outras palavras, para a dança do carimbo do Pará – remédio milagroso para quem, mordido pela cobra venenosa, sonha com um futuro digno.


Agora, quando o mestre descansa “de baixo de uma palmeira onde canta o sabiá”, continuamos ouvindo sua voz imortal de uirapuru, para orgulho da música universal produzida em Belém, esse pedaço de chão vermelho cabano do Brasil.


Edmilson Brito Rodrigues

Professor e Arquiteto

5 comentários:

Anônimo disse...

Se andar de cima houver, ganham os de lá que passam a desfrutar da imortalidade dos tambores do Rei.
Georgina

Anônimo disse...

Somente quem nos últimos anos foi a pessoa que mais ajudou o rei do carimbo a continuar a nos presentear com seus cantos, pode escrever um depoimento tão belo.
Salve Verequete, mais um cabano que se foi neste ano.

Stefani Henrique

Anônimo disse...

03 de Novembro de 2009
Dia da Cultura,
É hoje o mundo ficou mais pobre,
Verequete, Straus...
Cada um grande em suas culturas, sábios em suas habilidades.
A nós, só resta engrandecer e tentar perpetuar o que aprendemos com esses geniais e grandes homens de contribuições e lições eternas.
Laurenir

Anônimo disse...

" Aqui no CANTO da Pedreirinha com a José Bonifácio estaremos sempre escutando o CANTO MÁGICO DE VEREQUETE"

Um abraço cabano para você.

Bira Rodsrigues.

Ana Cleide disse...

Os anjos lá do céu gritaram: "Chama Verequete!" e ele se foi, nos deixando uma imensa saudade. Que o ano de 2009 termine pra não nos deixar mais pobres pelas perdas de nossos talentos. O texto em homenagem é lindo.